Me deram um numero, no lugar do meu nome
Me forjaram arduamente com miséria e fome
Colocaram uma arma em minhas mãos: o ódio
E derreteram meus sonhos de vida melhor com compostos de sódio
Fui para lugares, longe de leis e progresso
Tive que ter raiva de quem nunca vi para obter sucesso
Com gosto de sangue na boca, cuspi pólvora em inocentes
Destruí vilarejos com tochas incandescentes
vi que as forças de resistência nomeávamos de criminosos
Executei mulheres e filhos rendidos insinuando versos fervorosos
Minha culpa diminuía em ver um cara me abençoando pra ir para guerra
E vi o meu remorso completo se espalhar com o sangue na terra
Me arrastei nas trincheiras da minha depressão
E caminhando armado na multidão, sentia solidão
Tinha meus pesadelos acordado, passando como filme
Talvez fosse o resto de humanidade em mim querendo expiar meus crimes
Matando famílias, soube da noticia que erradicaram a minha
Esposa, mãe, meu filho e minha pequena filha
Que de onde estava não vi nascer, ao menos vir ao mundo
E ouvia eles me chamando para ir com eles em seus clamores agudos
[suspiro...]
Mas parecia surdo e cego, me guiando, rastejando na terra
E via um mundo alvejando egos, me pergunto ainda: Que arte tem na guerra?
O arame farpado apontava as delimitações do front da minha estância
Mas eu o achava pequeno, não cabia tanta ignorância
Nem da minha parte, nem do sargento que cospe quando fala
Na hora da luta patente nenhuma blinda patente não é aprova de balas
Ver a poesia monocromática de clique-clak bangs!
Melodia desafinada sem refrões em versos torturantes…
Meu luxo? Luxo era ganhar batalhas e atirar em comemoração balas pra cima
Melhor que elas subissem ao céu do que se no céu por elas subissem vitimas
Era estranho invadir os QG’s, os quartéis inimigos
Olhar aqueles corpos se carbonizando… Eles se parecem tanto comigo…
A vontade de viver ultrapassa qualquer força humana ou carnal
Deve ser por isso que cheguei tão longe, não dou créditos a minha Uzi, nem a minha Fall
Teve uma vez que vi um velório de um de nossos ex-detentos
vi uma mãe chorar abraçada ao corpo e me comovi. Porque percebi que não tinha mais sentimentos
“soldados são soldados e pra isso nascem e são criados
Pra passo-a-passo seguirem fardados sem sentir a dor que tem causado”
Quantas vezes questionei meus motivos e percebi que meus motivos não eram meus
Seguia devoto a marcha marcada de “Um, dois, um dois” como se ela fosse meu deus
E era… Por eles matava, por eles morreria
Se um dia a guerra acabar, amigo… Eu não sei o que eu faria